Capítulo 172: Entre o Cansaço e o Desejo

Capítulo 172: Entre o Cansaço e o Desejo

A sexta-feira terminou mais tarde do que o previsto.

A obra avançava, fornecedores ligavam a todo instante, clientes queriam informações sobre a inauguração, e o Studio Florescer Crossdresser parecia pulsar em um ritmo quase acelerado demais para aquela semana.

Capítulo 172: Entre o Cansaço e o Desejo

Quando Anna e Roberta finalmente fecharam a porta do Florescer, trocaram um olhar silencioso — daqueles que dizem tudo sem precisar de palavras.

— Eu não sinto mais meus pés — Anna comentou, rindo enquanto caminhavam até o carro.

— Mas sente orgulho, né? — Roberta respondeu.

Anna segurou a mão dela.

— Muito.

O trajeto até em casa foi tranquilo, embalado por uma playlist baixa no rádio e pela sensação de dever cumprido. O céu já estava escuro quando estacionaram. Subiram as escadas devagar, ainda conversando sobre pequenos detalhes do dia seguinte — o sábado prometia ser cheio.

Assim que entraram no apartamento, o silêncio acolhedor do lar pareceu abraçá-las.

Roberta deixou a bolsa sobre o sofá.

— Banho ou vinho primeiro? — perguntou, com um meio sorriso.

Anna aproximou-se por trás, envolvendo-a pela cintura.

— Você.

O beijo começou leve, quase preguiçoso. Um toque que era mais reencontro do que urgência. A semana tinha sido intensa, cheia de decisões e responsabilidades. Ali, naquele espaço só delas, não havia planilhas nem cronogramas.

Só pele, respiração e presença.

O banho acabou acontecendo juntas, entre risos e carícias demoradas. A água quente ajudou a dissolver o cansaço acumulado, mas foi o toque uma da outra que realmente fez o peso da semana desaparecer.

No quarto, a luz estava baixa.

Anna deitou-se primeiro, puxando Roberta pela mão. O beijo ganhou profundidade, as mãos explorando com familiaridade e desejo. Não havia pressa — apenas entrega.

Entre sussurros e respirações entrecortadas, foram deixando que o amor se manifestasse no ritmo próprio delas. Um gesto cuidadoso, um arrepio, um sorriso no meio da intensidade.

Horas passaram quase sem que percebessem.

Em algum momento, Roberta olhou para o relógio no criado-mudo e riu baixinho.

— A gente precisa acordar cedo amanhã…

Anna beijou seu ombro.

— Eu sei.

Mas nenhuma das duas se afastou.

Era como se aquele tempo fosse necessário. Como se o corpo precisasse lembrar o motivo pelo qual enfrentavam as semanas puxadas com tanta determinação.

Quando finalmente adormeceram, já era madrugada.

O despertador tocou cedo demais.

Roberta foi a primeira a abrir os olhos. Por um instante, pensou que estaria exausta. Mas, ao virar o rosto e ver Anna ainda com o cabelo espalhado pelo travesseiro, sentiu algo diferente.

Leveza.

Anna acordou logo depois.

— Estou morta? — perguntou, com voz rouca.

Roberta riu.

— Estranhamente… não.

Elas se levantaram devagar, ainda trocando beijos rápidos enquanto se arrumavam. O cansaço físico estava ali, discreto — mas não pesava.

Havia uma energia silenciosa que só nasce de noites em que o amor é mais do que descanso: é reconexão.

No caminho para o Studio, Anna comentou:

— Engraçado… dormimos menos que o normal, mas eu me sinto renovada.

Roberta apertou sua mão sobre o câmbio.

— Porque a gente não descansou só o corpo.

O sábado no Florescer começou movimentado. Clientes chegando, obra avançando, expectativas crescendo.

Mas Anna e Roberta estavam alinhadas, cúmplices, vibrando na mesma frequência.

Entre um atendimento e outro, trocavam olhares discretos que guardavam a memória da noite anterior.

E trabalhavam com ainda mais dedicação.

Porque sabiam que, no fim das contas, o que sustentava tudo — o Studio, os sonhos, as decisões — era exatamente aquilo que tinham construído entre quatro paredes: parceria, desejo e amor.

Continua... Aguarde o capítulo 173.

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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