Capítulo 170: Maré de Amor

Capítulo 170: Maré de Amor

O sábado terminou com o som da porta do Studio Florescer Crossdresser se fechando suavemente.

Camila respirou fundo antes de apagar as luzes. A semana havia sido intensa: decisões, obra, planilhas, expectativas. Mas naquela noite havia algo diferente no ar — uma leveza antecipada.

As malas já estavam prontas no pequeno escritório dos fundos.

Capítulo 170: Maré de Amor

Quando saiu para a calçada, viu Rafael encostado no carro, sorrindo daquele jeito que sempre a fazia esquecer o cansaço.

— Pronta? — ele perguntou.

Ela assentiu.

— Mais do que nunca.

A estrada foi tomada por conversas leves, músicas antigas tocando no rádio e o cheiro de liberdade que só uma viagem inesperada traz. Camila apoiou a cabeça no ombro de Rafael por alguns minutos, observando as luzes da cidade ficando para trás.

Chegaram à pousada já à noite. Um lugar simples, aconchegante, com varanda de madeira e o som distante do mar como trilha sonora.

Depois de deixarem as malas no quarto, saíram para jantar em um restaurante à beira-mar. A brisa salgada bagunçava os cabelos de Camila enquanto ela ria de alguma história que Rafael contava.

— Eu precisava disso — ela confessou, segurando a mão dele sobre a mesa. — Precisava parar.

Ele beijou seus dedos com delicadeza.

— Você merece mais do que pausas. Merece viver.

Voltaram para a pousada sob um céu estrelado. No quarto, a luz era baixa, dourada, suave.

Os beijos começaram lentos, como quem redescobre um território conhecido. As mãos passearam com carinho, sem pressa. O cansaço da semana foi sendo substituído por desejo, cumplicidade, entrega.

A noite foi intensa — não apenas de paixão, mas de conexão. Risos no meio dos beijos, sussurros, pele com pele. Como se o mundo lá fora tivesse desaparecido por algumas horas.

No domingo, acordaram cedo.

A luz do sol atravessava as cortinas, desenhando linhas claras sobre o lençol branco. Camila abriu os olhos e, por um instante, não lembrou da obra, nem das planilhas, nem das responsabilidades.

Só do som do mar.

Desceram para a praia ainda com poucas pessoas na areia. A água estava fresca, convidativa. Caminharam de mãos dadas, deixando que as ondas molhassem os pés.

Entraram no mar rindo, fugindo das ondas maiores.

Entre mergulhos e abraços, Rafael a puxou pela cintura. Camila envolveu o pescoço dele com os braços, beijando-o com gosto de sal.

As carícias eram discretas, mas cheias de intenção. Um toque mais demorado, um olhar cúmplice. No balanço suave da água, trocaram beijos intensos, escondidos entre o movimento das ondas e a distância das outras pessoas.

Havia algo quase adolescente naquele momento — a ousadia, o riso contido, o calor que contrastava com o frescor do mar.

Depois do almoço em um quiosque simples, passaram mais algumas horas estendidos na areia. Camila deitada com a cabeça no peito de Rafael, ouvindo o coração dele bater enquanto o vento brincava com seus cabelos.

— Eu me sinto viva aqui — ela disse.

— Você está viva — ele respondeu. — Só precisava lembrar.

No meio da tarde, voltaram para a pousada. Tomaram um banho demorado, rindo sob o chuveiro, trocando beijos sob a água morna.

Antes de fazer as malas para ir embora, deixaram que o desejo falasse mais alto uma vez. Foi um momento intenso, urgente, como se quisessem guardar no corpo a lembrança daquele fim de semana.

Quando finalmente pegaram a estrada de volta, o céu já começava a ganhar tons alaranjados.

À noite, Rafael estacionou em frente à kitnet de Camila.

Ela demorou alguns segundos antes de sair do carro.

— Obrigada — disse, olhando nos olhos dele. — Por tudo.

Ele acariciou seu rosto.

— Sempre que você precisar respirar… eu te levo para o mar.

Camila subiu as escadas com um sorriso tranquilo. Ao fechar a porta, encostou-se nela por alguns instantes.

Sentia o corpo relaxado, o coração leve, a mente silenciosa.

Aquele fim de semana tinha sido mais do que uma viagem.

Tinha sido um reencontro consigo mesma.

Revigorada. Amada. Realizada.

Na manhã seguinte, quando voltasse ao Studio, pisaria ali diferente — não apenas como líder de um projeto em crescimento, mas como mulher inteira, viva em todas as suas dimensões.

Continua... Aguarde o capítulo 171.

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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