Capítulo 152: Sábado de Carnaval
Desde o início de janeiro um dos assuntos mais falados dentro do Studio Florescer Crossdresser: a grande festa de carnaval.
Anna e Roberta tiveram a ideia de organizar uma comemoração especial para as clientes e amigas do Studio. Um evento onde todas pudessem se divertir sem medo, sem olhares julgadores, apenas sendo livres. Assim nasceu a proposta: uma festa à fantasia, aberta para crossdressers e mulheres trans, com música, alegria e muito brilho.
Durante um mês inteiro, o aviso ficou estampado na parede da cafeteria e nas redes sociais: “Baile de Carnaval do Studio Florescer – ingressos limitados!”. As entradas esgotaram rápido. A expectativa crescia a cada dia.
Camila acompanhava tudo com empolgação. Entre um atendimento nas baias e outro, ajudava a organizar detalhes: decoração, lista de músicas, encomenda de bebidas e salgadinhos. O Studio ganhou aos poucos um clima festivo, com máscaras coloridas, serpentinas e luzes penduradas.
Quando finalmente chegou o sábado de carnaval, o espaço amanheceu em clima de contagem regressiva.
No meio da tarde, as primeiras clientes começaram a chegar para se arrumar. O vestiário ficou movimentado como nunca. Risadas, maquiagem, glitter espalhado por todos os lados. Era como se o próprio Studio estivesse se preparando para um grande espetáculo.
Camila apareceu pronta pouco antes do início da festa. Vestida com fantasia de Mulher-Maravilha, com tiara dourada e botas vermelhas, sentiu-se poderosa e divertida ao mesmo tempo. Quando entrou na cafeteria, Anna e Roberta já estavam prontas: as duas fantasiadas de princesas, com vestidos rodados e coroas brilhantes.
— Olha ela! Nossa heroína do Florescer! — brincou Anna ao ver Camila.
— Alguém precisa salvar o café se acabar o brigadeiro — respondeu Camila, rindo.
Rafael chegou logo depois, vestido de policial. Assim que viu Camila fantasiada, abriu um sorriso enorme.
— Acho que hoje vou ter que prender uma super-heroína — disse ele, abraçando-a.
— Só se for por excesso de charme — respondeu Camila, piscando.
Quando as portas se abriram oficialmente, a festa começou de verdade.
O Studio se transformou completamente. A cafeteria virou pista de dança, com músicas clássicas de carnaval tocando alto: marchinhas antigas, sambas animados, sucessos que todo mundo sabia cantar.
As fantasias eram um show à parte. Havia sereias, fadas, bailarinas, personagens de filme, palhaças, rainhas, anjos e diabinhas. Cada uma mais criativa que a outra. E, acima de tudo, havia sorrisos.
Camila observava tudo emocionada. Ver tantas pessoas felizes, leves e seguras naquele espaço fazia todo o trabalho valer a pena.
Entre um atendimento e outro no balcão de comes e bebes, ela dançava com as clientes, tirava fotos, ajudava quem precisava de algum retoque na maquiagem. Anna e Roberta circulavam pelo salão garantindo que tudo funcionasse perfeitamente.
A energia era contagiante.
Em certo momento, formou-se um trenzinho de carnaval que atravessou todo o Studio, passando pela cafeteria e até pela entrada das baias. Gargalhadas ecoavam por todos os cantos.
Rafael, sempre por perto, se divertia tanto quanto as clientes. Dançou com Camila, conversou com várias frequentadoras e ajudou na organização quando foi preciso.
A noite passou rápido demais.
Quando a festa chegou ao fim, já era madrugada. O chão estava cheio de confetes, as mesas bagunçadas, e o ar ainda carregava o cheiro doce de alegria.
Mas o mais importante era a sensação geral: tinha sido um sucesso absoluto.
Além da diversão, o evento trouxe um faturamento excelente para o Studio, superando todas as expectativas. Anna e Roberta mal conseguiam acreditar no resultado.
Depois que a última cliente foi embora e as portas foram finalmente fechadas, os quatro se jogaram exaustos no sofá da área da cafeteria.
Camila tirou a tiara da fantasia e suspirou.
— Eu nunca vi o Studio tão feliz assim — disse, emocionada.
Anna apoiou a cabeça no ombro de Roberta.
— Foi melhor do que a gente imaginava.
— Muito melhor — completou Roberta. — Acho que criamos uma tradição nova por aqui.
Rafael segurou a mão de Camila.
— Vocês três fizeram algo incrível hoje.
Camila olhou ao redor: a bagunça, as serpentinas, os copos vazios. E sentiu um orgulho imenso de fazer parte de tudo aquilo.
Cansados, mas com o coração leve, os quatro ficaram ali por alguns minutos em silêncio, apenas saboreando a sensação de missão cumprida.
O Studio Florescer Crossdresser tinha acabado de viver um dos seus dias mais especiais.
E ainda era só o começo do carnaval.
Continua... Aguarde o capítulo 153.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
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