Capítulo 138: Entre o Cuidado e o Crescimento
O Studio Florescer Crossdresser já estava fechado quando Camila se sentou sozinha em uma das mesas da cafeteria. As luzes mais baixas deixavam o ambiente aconchegante, quase íntimo. O cheiro suave de café ainda pairava no ar, misturado à sensação de dever cumprido — e a um cansaço que não era apenas físico.
Ela apoiou os cotovelos na mesa e respirou fundo.
Os últimos dias tinham sido intensos. As baias, que nasceram de uma ideia simples e cheia de empatia, estavam funcionando além do esperado. Pessoas entrando tímidas e saindo mais leves. Olhares agradecidos. Mensagens de retorno. Histórias começando a se reescrever ali, naqueles pequenos espaços pensados com tanto cuidado.
Mas, junto com o sucesso, vinha a responsabilidade.
Camila percebeu que precisava aprender algo novo: até onde ir sem se perder. Amar o que fazia não significava carregar tudo sozinha. Aquela pausa inesperada mais cedo, o abraço de Rafael, o momento de amor dentro de uma das baias, tinham sido um lembrete claro — o corpo e o coração também pedem atenção.
Enquanto organizava mentalmente a semana seguinte, o celular vibrou.
Uma mensagem curta, educada, vinda de um número desconhecido:
“Boa noite, Camila. Meu nome é Helena. Sou arquiteta e trabalho com projetos inclusivos. Conheci o Studio hoje e gostaria de conversar sobre possíveis parcerias.”
Camila leu duas vezes.
Em seguida, outra notificação. Dessa vez, um e-mail:
“Olá, sou jornalista cultural e estou preparando uma matéria sobre espaços seguros e transformadores na cidade. O Studio Florescer Crossdresser foi muito bem recomendado. Podemos conversar?”
Ela apoiou o celular na mesa e sorriu, ao mesmo tempo animada e apreensiva.
O que até pouco tempo atrás era apenas um sonho compartilhado entre poucas pessoas começava a chamar atenção. O Studio estava crescendo — e não apenas em tamanho, mas em impacto. Camila sentiu orgulho, mas também entendeu que aquele crescimento exigiria escolhas mais conscientes, conversas difíceis e, principalmente, equilíbrio.
Levantou-se, apagou as últimas luzes e, antes de sair, olhou uma última vez para o espaço.
— Vai dar certo — sussurrou para si mesma. — Do nosso jeito.
E saiu, levando com ela a certeza de que florescer também é aprender a podar.
Continua... Aguarde o capítulo 139.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
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