Capítulo 129: Quando o Florescer Ecoa

Capítulo 129: Quando o Florescer Ecoa

O sucesso das baias não demorou a ultrapassar as paredes do Studio Florescer Crossdresser.

Na manhã seguinte ao primeiro dia oficial de funcionamento completo, Camila chegou cedo e encontrou Anna e Roberta já sentadas à mesa maior da cafeteria, cada uma com o celular na mão, expressões entre surpresa e preocupação boa — aquela que vem quando algo cresce rápido demais. 

Capítulo 129: Quando o Florescer Ecoa

— Você já viu isso? — perguntou Roberta, girando a tela do celular em direção a Camila.

Havia mensagens por todos os canais: direct no Instagram do Studio, e-mails, comentários discretos feitos por clientes antigas, indicações vindas de amigas, de terapeutas, de pessoas que nunca tinham pisado ali, mas que finalmente sentiam coragem de escrever.

“Tem lista de espera?”
“Posso alugar só duas tardes por semana?”
“É possível manter meu nome em sigilo?”
“Nunca trabalhei montada fora de casa… tenho medo.”


Camila sentiu o estômago revirar — não de ansiedade, mas de responsabilidade.

— Isso virou algo maior do que a gente imaginava — disse ela, sentando-se com as duas.

Anna apoiou os cotovelos na mesa, pensativa.
— A ideia é linda… mas agora precisamos organizar. Não dá pra ser só no improviso.

Roberta concordou com um aceno.
— Precisamos de critérios claros. Horários, limites, regras de convivência, política de privacidade. Tudo muito bem definido pra proteger quem usa e quem cuida do espaço.

Camila respirou fundo.
— Eu posso assumir isso.

As duas olharam para ela ao mesmo tempo.

— Assumir como? — perguntou Anna, com suavidade.

— Eu já sou responsável por cuidar do atendimento nas baias. Já faço a coordenação das baias. Organização dos horários, acolhimento inicial, acompanhamento de quem está começando… — Camila hesitou por um segundo. — Eu sei o que essas pessoas sentem. Eu sou uma delas. Por isso quero cuidar exclusivamente das baias para que tudo fique 100% organizado.

O silêncio que se seguiu não foi de dúvida, mas de reconhecimento.

Anna sorriu devagar, os olhos brilhando.
— Era exatamente isso que eu estava esperando você dizer.

Roberta estendeu a mão e tocou a de Camila.
— Você cresceu muito aqui dentro. E não só profissionalmente.

Mais tarde, Rafael apareceu no Studio para buscá-la. Encontrou Camila sentada com um caderno aberto, rabiscando fluxos, horários e observações.

— Tá com cara de quem tá construindo algo sério — brincou.

Camila sorriu, mas o olhar estava distante.
— Eu estou… e isso me assusta um pouco.

Eles caminharam até uma mesa mais reservada. Camila contou sobre as mensagens, a lista de espera que começava a se formar, a conversa com Anna e Roberta.

— Às vezes eu me pergunto quem eu estou virando — disse, em voz baixa. — Eu cheguei aqui querendo só existir. Agora… as pessoas olham pra mim como referência.

Rafael segurou a mão dela.
— E você acha isso ruim?

Camila pensou por alguns segundos.
— Não. Só é novo. E grande.

— Então deixa ser grande — respondeu ele. — Você não está sozinha.

No fim do dia, Anna colou discretamente um aviso atrás do balcão:
“Em breve: informações oficiais sobre uso das baias de trabalho.”

Camila observou aquilo de longe, sentindo um misto de orgulho e vertigem. O Studio florescia. As pessoas floresciam.
E, no meio disso tudo, ela começava a entender que seu próprio caminho não era mais apenas sobre se descobrir — mas sobre sustentar o espaço onde outros também podiam florescer.

Continua... Aguarde o capítulo 130. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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