Capítulo 126: Quando o Florescer Vira Referência

Capítulo 126: Quando o Florescer Vira Referência

A segunda-feira começou diferente no Studio Florescer Crossdresser. Ainda antes da abertura oficial, Camila já percebia um movimento maior do que o habitual. Mensagens no celular, anotações no caderno, nomes novos surgindo ao lado de horários desejados. As baias, recém-inauguradas, tinham deixado de ser apenas um projeto promissor — estavam se tornando uma necessidade real. 

Capítulo 126: Quando o Florescer Vira Referência

Quando as portas se abriram, o fluxo foi constante. Pessoas chegavam curiosas, algumas discretas, outras visivelmente emocionadas. Havia quem pedisse um café antes de tudo, como se precisasse daquele pequeno ritual para ganhar coragem. E, quase sempre, era Camila quem acabava sendo procurada.

— Você é a Camila, né? — perguntava uma cliente, com voz baixa.
— Sou eu — respondia ela, sempre com um sorriso tranquilo.
— Posso conversar um pouquinho?

Esses “pouquinhos” se transformavam em histórias inteiras. Relatos de rotinas duplas, de armários cheios de roupas escondidas, de desejos adiados por anos. Algumas pessoas queriam saber detalhes práticos: valores, horários, funcionamento. Outras queriam algo menos mensurável — queriam saber se estavam no lugar certo.

— Aqui ninguém precisa fingir — dizia Camila, com a naturalidade de quem fala de algo vivido. — Você pode ser quem é, no seu tempo.

Anna observava tudo à distância, entre o caixa e a máquina de café. Via Camila se mover com segurança, acolher sem invadir, orientar sem impor. Em certo momento, aproximou-se de Roberta e comentou em voz baixa:

— Você percebeu? Elas não estão vindo só pelas baias.
Roberta sorriu, orgulhosa.
— Estão vindo por ela também.

Ao longo do dia, Camila ajudou a organizar horários, explicou regras, sugeriu alternativas para quem ainda estava inseguro. Em alguns momentos, sentia o peso da responsabilidade. Não era mais apenas uma colaboradora ou alguém em processo de descoberta. Estava se tornando referência — e isso exigia presença, escuta e maturidade.

No meio da tarde, uma cliente segurou sua mão por alguns segundos a mais do que o necessário.
— Obrigada por existir — disse, com os olhos marejados. — Você me fez acreditar que isso é possível.

Camila respirou fundo depois que ela saiu. Sentiu o impacto daquelas palavras como um calor no peito. Não era vaidade. Era consciência. O Florescer estava entrando em uma nova fase — e ela também.

Quando o dia chegou ao fim, Camila ajudou a fechar o Studio com Anna e Roberta. Entre risos cansados e comentários rápidos sobre o movimento intenso, Anna parou diante dela.

— A gente precisa conversar — disse, com um sorriso sério. — Seu papel aqui está mudando. E eu acho que você já percebeu isso.

Camila assentiu, sentindo uma mistura de emoção e expectativa.
— Eu percebi… e estou pronta.

Enquanto apagavam as luzes, o Studio parecia guardar os ecos daquele dia: vozes, confissões, pequenos começos. Camila saiu com a certeza de que o caminho à frente seria mais exigente — mas também infinitamente mais significativo.

Ela não estava apenas florescendo.
Estava ajudando outras pessoas a se reconhecerem no próprio espelho. 

Continua... Aguarde o capítulo 127. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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