Capítulo 125: Um Domingo Para Respirar
Depois de semanas intensas, marcadas por obras, decisões importantes e emoções profundas, Camila acordou naquele domingo com uma sensação rara: calma. O celular ainda estava silencioso, o corpo descansado, e o coração… em paz. As baias finalmente haviam começado a funcionar, o projeto ganhara vida, e ela sentia que, pela primeira vez em muito tempo, podia simplesmente viver o dia sem urgências.
Rafael chegou cedo à kitnet, como prometera. Camila apareceu na porta com um vestido leve, confortável, sorriso aberto e os cabelos soltos, ainda com aquele ar de manhã preguiçosa.
— Pronta pra fugir um pouco do mundo? — ele perguntou, puxando-a para um abraço.
— Mais do que pronta — respondeu ela, encaixando-se nele com naturalidade.
O dia começou em um parque arborizado, daqueles em que o verde parece engolir o barulho da cidade. Caminharam sem pressa, de mãos dadas, observando famílias, cachorros correndo, casais sentados na grama. Camila respirava fundo, sentindo o vento leve no rosto, e pensava em como sua vida havia mudado — e em como, ainda assim, tudo parecia finalmente fazer sentido.
— Você está diferente — comentou Rafael, enquanto se sentavam em um banco à sombra. — Mais segura. Mais… inteira.
Camila sorriu, apoiando a cabeça em seu ombro.
— Acho que é a primeira vez que não estou só correndo atrás de algo. Eu estou vivendo o que construí.
Almoçaram em um restaurante tranquilo, daqueles que convidam à conversa longa. Entre uma garfada e outra, Camila contou sobre os primeiros dias das baias, sobre as pessoas que começaram a chegar, sobre os olhares emocionados, as histórias contidas nas entrelinhas.
Rafael ouvia com atenção, orgulho explícito no olhar.
— Você mudou a vida de muita gente, Camila. E nem percebe o tamanho disso.
— Às vezes eu percebo… e assusta um pouco — confessou ela. — Mas é um medo bom.
— É responsabilidade — corrigiu ele, sorrindo. — E você nasceu pra isso.
À tarde, passearam pelo shopping, riram de vitrines, dividiram uma sobremesa exagerada, andaram sem rumo definido. No cinema, sentaram-se mais ao fundo, dividiram pipoca, trocaram olhares cúmplices e carícias durante o filme, e Camila se permitiu algo simples: ser apenas namorada, mulher, presente.
Quando o dia começou a se despedir, voltaram devagar, aproveitando cada minuto. Rafael deixou Camila em casa já no começo da noite. Antes de se despedirem, ele segurou seu rosto com cuidado.
— Eu tenho muito orgulho de você — disse, com firmeza. — Da mulher que você é. Do que você constrói. Do que você representa.
Camila sentiu os olhos marejarem.
— Obrigada por caminhar comigo — respondeu. — Mesmo quando o caminho muda.
O beijo foi calmo e longo, cheio de promessas silenciosas.
Sozinha novamente, Camila entrou na kitnet, tirou os sapatos e se sentou por alguns minutos na cama. O domingo havia sido exatamente o que ela precisava: um lembrete de que, mesmo em meio a projetos grandiosos e responsabilidades crescentes, o amor e o descanso também fazem parte do florescer.
Ela apagou a luz com um sorriso sereno, pronta para uma nova semana — agora, com o coração ainda mais forte.
Continua... Aguarde o capítulo 126.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
Capítulos novos todos os dias.

Comentários
Postar um comentário