Capítulo 123: O Primeiro Sim

Capítulo 123: O Primeiro Sim

A mensagem chegou no meio da tarde, quando Camila ajudava a organizar algumas caixas de materiais recém-chegados para a obra. O celular vibrou no bolso do vestido e, por impulso, ela ignorou. Ainda estava tentando aprender a separar o tempo do trabalho da ansiedade. Mas algo a fez parar.

Capítulo 123: O Primeiro Sim

Era ele.

Camila sentou-se em um dos bancos da cafeteria ainda vazia naquele horário mais calmo e leu devagar, como se cada palavra precisasse de espaço dentro dela.

“Pensei bastante. Dormi mal, confesso. Mas não por medo… por emoção. Se ainda fizer sentido, eu gostaria de alugar uma das baias. Acho que estou pronto.”

O coração de Camila disparou. Por alguns segundos, ficou imóvel, olhando para a tela iluminada. O primeiro contrato. A primeira pessoa. A primeira história que confiava naquele projeto — e nela.

Respirou fundo antes de responder, com o cuidado de quem segura algo frágil e precioso ao mesmo tempo.

“Faz todo sentido, sim. Vamos conversar com calma. Será um prazer te receber.”

Assim que enviou a mensagem, sentiu o peso da responsabilidade cair de uma vez só. Não era mais apenas uma ideia bonita. Alguém estava apostando ali um pedaço da própria vida.

Camila procurou Anna e Roberta. Encontrou as duas no balcão, revisando pedidos e rindo de algo bobo, como sempre faziam nos intervalos de tensão.

— Eu preciso falar com vocês — disse, a voz levemente trêmula.

As duas a olharam imediatamente, atentas.

— Ele confirmou — Camila continuou. — Quer alugar uma baia. Vai ser o primeiro.

Por um segundo, o silêncio se instalou. Depois, Anna abriu um sorriso largo e se aproximou, segurando as mãos de Camila.

— Você percebe o que isso significa? — perguntou, com os olhos brilhando. — Alguém confiou em você.

Roberta completou, com firmeza e carinho:
— E a gente confia também. Desde o começo.

Camila sentiu os olhos marejarem.
— Eu fico com medo de errar… de não dar conta… — confessou. — De não conseguir acolher do jeito que merece.

Anna tocou seu rosto com delicadeza.
— O cuidado você já tem. O resto a gente constrói juntas.

Naquele fim de tarde, sentaram-se as três para alinhar detalhes: valores, horários, regras, ajustes finais do espaço. Camila anotava tudo com atenção, mas agora entendia que seu papel tinha mudado. Não era apenas alguém que floresceu ali. Era alguém que ajudava o Studio a florescer também.

Quando o dia terminou e as luzes foram apagadas, Camila ficou alguns segundos a mais, sozinha. Pensou em tudo o que havia vivido desde o primeiro dia em que entrou tímida pela porta do Studio.

Sorriu.

O primeiro “sim” tinha sido dado. E com ele, nascia uma nova etapa — não só para o Florescer, mas para ela mesma.

Continua... Aguarde o capítulo 124. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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