Capítulo 122: A Primeira Porta Que Se Abre

Capítulo 122: A Primeira Porta Que Se Abre

O dia ainda estava tranquilo no Studio Florescer Crossdresser quando Camila viu a silhueta conhecida parar em frente à vitrine. O terno discreto, a postura contida, o olhar atento — era ele. O mesmo homem que, semanas antes, havia se sentado tímido no fundo da cafeteria e, sem saber, havia mudado o rumo de tantas coisas.

Capítulo 122: A Primeira Porta Que Se Abre

Camila sentiu o coração acelerar. Respirou fundo e foi ao encontro dele com o mesmo sorriso acolhedor de sempre.

— Que bom te ver — disse, em tom baixo e gentil. — Fico feliz que tenha vindo.

Ele assentiu, visivelmente nervoso.
— Confesso que quase voltei atrás… — admitiu, olhando ao redor. — Mas algo me disse pra entrar.

Camila o conduziu até uma mesa mais reservada, explicou que as obras estavam acontecendo no espaço ao lado e perguntou se ele gostaria de conhecer. Ele concordou com um aceno tímido. Antes de seguirem, ela fez questão de avisar Anna e Roberta, que trocaram um olhar cúmplice e respeitoso. Sabiam que aquele momento era delicado.

O acesso ao novo espaço ainda improvisado tinha cheiro de tinta fresca e madeira recém-cortada. As paredes não estavam totalmente prontas, fios ainda apareciam em alguns pontos, e o chão aguardava acabamento. Mesmo assim, Camila fazia questão de mostrar cada detalhe com cuidado, como se já estivesse tudo finalizado.

— Aqui vai ser a entrada independente — explicou. — A cafeteria continua lá, mas este espaço é separado. Silêncio, privacidade… tudo pensado pra quem precisa trabalhar com tranquilidade.

Ele ouvia em silêncio, absorvendo cada palavra.

Quando chegaram ao vestiário, o homem parou por um instante. Seus olhos se encheram de algo difícil de nomear — medo, emoção, expectativa.

— Você não precisa fazer nada hoje — Camila disse com suavidade. — Só conhecer. Só sentir se esse lugar conversa com você.

Ele respirou fundo e entrou. O vestiário ainda simples, mas limpo e organizado, parecia pequeno demais para o tamanho do significado que carregava. Um espelho, um banco, um cabide improvisado. Nada luxuoso. Tudo essencial.

Ele tocou o espelho com a ponta dos dedos, como se confirmasse que aquilo era real.

— Nunca tive um espaço assim — disse, quase num sussurro. — Sempre foi tudo às pressas… escondido… quando dava.

Camila permaneceu ao seu lado, respeitando o tempo dele.

— Aqui, você não precisa se esconder — respondeu. — Aqui, você pode existir inteira.

Depois, seguiram até uma das baias já parcialmente montadas. Uma mesa simples, uma cadeira confortável, pontos de tomada e internet sinalizados na parede. Ainda incompleto, mas já cheio de promessa.

— Dá pra imaginar — ele disse, fechando os olhos por um instante. — Dá pra imaginar trabalhando aqui… sendo eu.

Quando voltaram à cafeteria, Anna e Roberta se aproximaram com cuidado. Não havia necessidade de muitas palavras. Um sorriso sincero, um cumprimento respeitoso, um clima de acolhimento silencioso.

— Fique à vontade pra pensar — disse Roberta. — Esse espaço vai estar aqui.

Ele agradeceu, visivelmente emocionado. Antes de sair, voltou-se para Camila.

— Independente de qualquer coisa… obrigado. Só por isso existir… já valeu.

Camila o observou sair, sentindo um nó doce na garganta. Pela primeira vez, o projeto das baias deixava de ser ideia, obra ou planejamento. Tinha rosto. Tinha história. Tinha impacto real.

No fim do dia, enquanto fechavam o Studio, Anna comentou em voz baixa:
— Agora não tem mais volta.

Camila sorriu, olhando para o espaço em construção ao lado.
— Ainda bem. 

Continua... Aguarde o capítulo 123. 

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