Capítulo 120: Desenhando Espaços e Acolhendo Histórias

Capítulo 120: Desenhando Espaços, Acolhendo Histórias 

O Studio Florescer Crossdresser ainda estava fechado quando Camila chegou naquela manhã. Gostava daquele silêncio inicial, quando o espaço parecia respirar antes de receber o mundo. Sentou-se em uma das mesas próximas à janela, abriu o caderno novo — comprado especialmente para aquilo — e respirou fundo. 

Capítulo 120: Desenhando Espaços e Acolhendo Histórias

Na primeira página, escreveu com letra caprichada: Baias de Trabalho — Projeto Florescer.

Aos poucos, as ideias começaram a ganhar forma. Horários flexíveis, para quem precisava de apenas algumas horas. Planos diários, semanais e mensais, pensados para diferentes realidades. Regras simples, escritas com cuidado, não para limitar, mas para proteger: respeito, discrição, acolhimento absoluto. Camila pensava não apenas na estrutura física, mas na experiência emocional de quem pisaria ali pela primeira vez, talvez com medo, talvez com culpa, talvez com os olhos cheios de esperança — como ela mesma um dia estivera.

Quando Anna e Roberta chegaram, encontraram Camila concentrada, cercada por folhas rabiscadas, esquemas e pequenas anotações nas margens.

— Já começou sem a gente? — brincou Anna, sorrindo.

Camila levantou o olhar, um pouco envergonhada, mas orgulhosa.
— Eu me empolguei… Queria organizar tudo direitinho.

As duas se sentaram ao redor da mesa. Camila explicou cada ponto, cada decisão pensada com cuidado. Roberta ouvia atenta, enquanto Anna folheava as páginas, visivelmente emocionada.

— Isso aqui não é só um serviço — disse Anna, com a voz baixa. — É um refúgio.

Mais tarde, com a cafeteria já funcionando, algumas clientes antigas começaram a chegar. Entre um café e outro, conversas se formavam naturalmente. Em pequenos círculos, Anna e Roberta comentaram, de forma discreta, que o Studio estava preparando algo novo.

Os olhos brilharam.

— Um espaço pra trabalhar montada? — perguntou uma delas, quase num sussurro, como se tivesse medo de quebrar o encanto.
— Aqui? — completou outra, levando a mão ao peito.

Camila observava à distância, sentindo o impacto real da ideia antes mesmo de qualquer parede ser erguida. Algumas clientes se emocionaram. Outras ficaram em silêncio, absorvendo a possibilidade como quem segura algo precioso demais para nomear.

— Vocês não têm ideia do que isso significa — disse uma delas, com a voz embargada. — É a primeira vez que sinto que alguém pensou na nossa vida inteira… não só em um momento dela.

No fim do dia, Camila voltou a se sentar sozinha por alguns minutos. O caderno agora estava cheio. Mas, mais do que planos, estava cheio de histórias que ainda iriam acontecer.

Ela sorriu, sentindo que, pela primeira vez, não estava apenas florescendo. Estava ajudando outras pessoas a criarem raízes. 

Continua... Aguarde o capítulo 121. 

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