Capítulo 119: Entre Planilhas, Sonhos e Novas Responsabilidades
O entusiasmo dos últimos dias ainda pairava no ar, mas naquela manhã o Studio Florescer Crossdresser acordou com uma energia diferente: mais prática, mais concentrada. O café continuava quente, os sorrisos continuavam presentes, porém agora dividiam espaço com cadernos abertos, anotações espalhadas sobre a mesa e uma calculadora que não parava quieta nas mãos de Roberta.
Depois do expediente, as três se sentaram em uma das mesas do fundo. Anna puxou uma pasta, cheia de papéis, contratos e rascunhos de ideias. Era o lado menos visível do Florescer, aquele que o público raramente via, mas que sustentava tudo o que existia ali.
— A empolgação é enorme — começou Anna, respirando fundo —, mas a gente precisa ser realista. A obra vai exigir mais do que a gente imaginava.
Roberta concordou, apontando para as planilhas.
— Ajustes elétricos, divisórias, mobiliário… Se a gente não organizar bem o financeiro, pode apertar. Dá pra fazer, mas o cronograma vai ficar bem justo.
Camila ouvia tudo com atenção. Pela primeira vez, não estava apenas como funcionária ou parte da equipe do atendimento, mas como alguém que ajudara a dar origem àquela ideia. Sentia um misto de orgulho e responsabilidade.
— E ainda tem outra coisa — continuou Anna, com um tom mais pensativo. — Como anunciar isso? Não quero criar expectativa antes da hora, nem explicar de um jeito errado. É um serviço novo, delicado… precisa ser comunicado com cuidado.
O silêncio que se seguiu não foi pesado, mas reflexivo. Camila sentiu que aquele era o momento certo de se posicionar, mesmo com o coração acelerado.
— Talvez a gente não precise anunciar tudo de uma vez — disse, com a voz calma. — Pode começar explicando para quem já confia no Studio, para as clientes mais próximas. Aos poucos, com cuidado, do jeito que o Florescer sempre fez.
Anna levantou os olhos, surpresa.
— Você pensou nisso?
Camila assentiu.
— Pensei… e pensei também que alguém precisa acompanhar esse processo de perto. Ouvir as necessidades, entender como cada pessoa se sente usando esse espaço. Eu posso ajudar nisso.
Roberta sorriu imediatamente, percebendo o alcance da proposta.
— Ajudar como?
Anna, antes que Camila respondesse, completou:
— Não. Não é só ajudar. — Ela fez uma pausa curta, como quem toma uma decisão importante. — Camila, eu queria te convidar para assumir a coordenação das baias quando o projeto sair do papel.
Camila sentiu o corpo inteiro estremecer. Não era apenas um cargo. Era um reconhecimento. Uma nova etapa.
— Coordenar… de verdade? — perguntou, emocionada.
— De verdade — confirmou Roberta. — Você entende esse universo como ninguém. Viveu na pele o que muita gente vive. E tem sensibilidade para cuidar disso.
Os olhos de Camila se encheram de lágrimas, mas dessa vez ela não tentou esconder.
— Eu aceito. E prometo cuidar desse espaço com o mesmo carinho que vocês cuidaram de mim.
As três se levantaram e se abraçaram ali mesmo, no meio da cafeteria ainda silenciosa. Entre desafios financeiros, prazos apertados e dúvidas legítimas, havia algo sólido sustentando tudo: confiança.
O Florescer estava crescendo. E, junto com ele, Camila também.
Continua... Aguarde o capítulo 120.
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