Capítulo 118: Antes Mesmo de Abrir as Portas
O Studio Florescer Crossdresser abriu as portas naquela manhã como de costume, com o aroma de café fresco se espalhando pelo ambiente e a música suave preenchendo cada canto. Mas havia algo diferente no ar. Uma expectativa quase palpável.
Camila chegou cedo, usando um vestido leve e um sorriso que denunciava seu entusiasmo. Assim que entrou, percebeu que alguns olhares se voltavam para ela com curiosidade. Antes mesmo de colocar a bolsa atrás do balcão, a primeira pergunta surgiu.
— Camila… é verdade que vocês estão ampliando o Studio?
Ela sorriu, mantendo a discrição combinada com Anna e Roberta.
— Estamos preparando algo muito especial. Em breve vocês vão saber de tudo.
Não demorou para que outras perguntas surgissem. Clientes antigas, novas frequentadoras, até pessoas que passavam pela primeira vez pelo Studio comentavam sobre o movimento ao lado, sobre as obras, sobre o burburinho que começava a se espalhar.
— Se for metade do que vocês já fizeram aqui, já vai ser incrível — disse uma cliente trans, segurando sua xícara de café com carinho.
Anna e Roberta trocavam olhares cúmplices atrás do balcão. Aquela curiosidade espontânea era mais do que esperavam. Antes mesmo de qualquer anúncio oficial, o projeto já despertava desejo e identificação.
No meio da manhã, enquanto Camila atendia uma mesa próxima à vitrine, ela viu Rafael se aproximando pela calçada. Seu coração aqueceu imediatamente. Ele entrou, olhou ao redor e sorriu ao vê-la trabalhando, segura, feminina, no espaço que agora também ajudara a transformar.
— Vim ver com meus próprios olhos — disse ele, depois de um beijo rápido e discreto. — Você falou tanto desse novo espaço que eu fiquei curioso.
Em um momento mais tranquilo, Camila o conduziu até a porta que ligava o Studio ao espaço em obras. Colocaram capacetes simples que estavam ali e entraram com cuidado.
Rafael observava atento: as divisórias começando a ganhar forma, os pontos de energia, a preparação para internet, o silêncio protegido que já se desenhava.
— Aqui vão ser as baias — explicou Camila, com brilho nos olhos. — Um lugar onde pessoas como eu… como tantas outras… vão poder trabalhar sendo quem realmente são.
Rafael a ouviu em silêncio, profundamente tocado. Ele segurou a mão dela com firmeza.
— Eu tenho muito orgulho de você, sabia?
Camila sentiu os olhos marejarem. Não era apenas o projeto. Era tudo o que aquele momento representava: aceitação, crescimento, pertencimento.
Quando voltaram para a cafeteria, Rafael se sentou para tomar um café enquanto Camila retomava o atendimento. Ele observava o Studio com outros olhos agora — não apenas como o local de trabalho da namorada, mas como um espaço vivo, pulsante, que mudava histórias.
Ao longo do dia, algo inesperado aconteceu: duas clientes perguntaram, quase timidamente, se já era possível reservar uma das futuras baias.
Anna respirou fundo antes de responder:
— Ainda não oficialmente… mas se quiserem, podemos anotar o interesse.
As anotações começaram. Nomes, contatos, horários desejados. A ideia de Camila começava a tomar forma concreta, real, antes mesmo da inauguração.
No fim do expediente, as três se reuniram por alguns minutos, exaustas e felizes.
— Acho que a gente não tem mais volta — disse Roberta, rindo.
— Nunca teve — respondeu Anna. — Esse espaço já nasceu necessário.
Camila voltou para casa naquela noite com o coração cheio. Caminhava sentindo que, pouco a pouco, deixava de ser apenas alguém que floresceu no Studio… para se tornar alguém que agora ajudava outras pessoas a florescerem também.
Continua... Aguarde o capítulo 119.
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