Capítulo 117: Paredes Que Guardam Sonhos

Capítulo 117: Paredes Que Guardam Sonhos

Era sábado, Anna e Roberta decidiram manter o Studio Florescer Crossdresser fechado aquele dia para o início das obras da expansão do Studio e reabririam somente na segunda. O som metálico das ferramentas ecoava logo cedo pela rua ainda tranquila. O Studio permanecia fechado naquela manhã, mas o espaço ao lado — agora oficialmente parte do Studio — começava a se transformar. 

Capítulo 117: Paredes Que Guardam Sonhos

Anna e Roberta chegaram juntas, carregando café, croquis improvisados e uma mistura deliciosa de ansiedade e empolgação. Camila veio logo depois, parou na porta do novo espaço e ficou alguns segundos observando. O lugar ainda tinha cheiro de loja antiga, mas, para ela, já exalava futuro.

— Dá pra imaginar? — perguntou Camila, quase em um sussurro.
— Dá — respondeu Anna. — E vai ficar ainda melhor do que a gente sonhou.

Os primeiros profissionais chegaram: pedreiro, eletricista, um rapaz responsável pela internet e cabeamento. Roberta conversava com todos, prática e atenta, enquanto Anna acompanhava cada detalhe com o olhar sensível de quem pensava na experiência humana por trás da obra.

— Essas paredes aqui — disse Anna, apontando — precisam ter isolamento acústico reforçado. Privacidade é essencial.
— Pode deixar — respondeu o profissional. — Vamos fazer direito.

Camila acompanhava tudo de perto. Em um canto, abriu seu caderno e começou a revisar os desenhos das baias: pequenos refúgios, pensados para acolher, proteger e permitir que cada pessoa pudesse existir plenamente.

Enquanto o barulho aumentava, algo ainda mais poderoso começava a circular: a curiosidade.

Uma cliente antiga do Studio passou pela calçada, diminuiu o passo e olhou para dentro.
— Meninas, o que está acontecendo aí? O Studio está fechado hoje?

Anna sorriu, mantendo o mistério carinhoso que já se tornara marca do lugar.
— Fechamos só por hoje, segunda reabriremos. Em breve você vai saber. Mas posso garantir: é algo feito com muito amor.

Ao longo do dia, mais pessoas pararam, observaram, comentaram. Algumas crossdressers que frequentavam o Studio trocaram mensagens entre si, criando rumores cheios de expectativa.

— Dizem que vai ter um espaço novo…
— Ouvi falar que vai ser algo pra quem quer mais privacidade…
— Seja o que for, vindo delas, vai ser incrível.

Entre uma parede derrubada e outra erguida, Anna e Roberta se olhavam com cumplicidade. Aquele projeto não era apenas expansão física — era a materialização de tudo em que acreditavam desde o início.

Camila, em um momento de silêncio, tocou levemente uma das novas divisórias ainda cruas.
Pensou no homem tímido de terno. Pensou em si mesma, no passado. Pensou em quantas histórias ainda passariam por ali.

— Esse lugar vai mudar vidas — disse ela, com convicção.
Roberta assentiu.
— Já está mudando.

Ao fim do dia, o espaço estava irreconhecível. Ainda longe de pronto, mas já carregado de intenção. As três ficaram ali por alguns minutos, sentadas no chão, cansadas, cobertas de poeira, mas felizes.

— Amanhã continua — disse Anna, sorrindo.
— E depois de amanhã também — completou Camila. — Porque sonhos grandes não nascem prontos.
— Segunda temos que abrir o Studio normalmente, mesmo com a obra aqui ao lado não podemos parar, precisam de nós — disse Roberta.
— Sim, precisamos continuar o atendimento na cafeteria e ficar de olho aqui nas obras — completou Anna, olhando ao redor.

O Studio Florescer Crossdresser crescia. E, junto com ele, crescia a esperança de muitas pessoas que nem sabiam ainda que aquele espaço havia sido criado pensando nelas.

Continua... Aguarde o capítulo 118. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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