Capítulo 116: Sonhos que Começam a Tomar Forma
O Studio Florescer Crossdresser ainda estava fechado quando Anna e Roberta chegaram naquela manhã. A luz suave entrava pelas janelas, iluminando o espaço que, em poucos minutos, voltaria a pulsar com vida. Mas, naquele instante, havia algo diferente no ar — uma expectativa boa, quase elétrica.
— Hoje a gente conta — disse Roberta, enquanto colocava o avental.
— Hoje — confirmou Anna, sorrindo sozinha.
Anna e Roberta ainda não haviam contado para Camila sobre a negociação do dia anterior.
Camila chegou pouco depois, pontual como sempre. Vestia-se com delicadeza, carregando no rosto a serenidade de quem finalmente se sente inteira. Assim que entrou, percebeu algo diferente nas duas.
— O que foi? — perguntou, curiosa. — Vocês estão com cara de segredo.
Anna trocou um olhar rápido com Roberta.
— Antes de abrir, a gente precisa conversar com você. Pode vir aqui um pouquinho?
O tom sério fez Camila gelar por um segundo.
— Aconteceu alguma coisa?
As três sentaram-se em uma das mesas mais ao fundo, o mesmo cantinho onde tantas conversas importantes já haviam acontecido.
— Calma — disse Roberta, tocando a mão de Camila. — É coisa boa. Muito boa.
Anna respirou fundo e começou:
— Você lembra da ideia que você trouxe pra gente… das baias de trabalho?
Os olhos de Camila se iluminaram imediatamente.
— Claro que lembro.
— Então — continuou Anna —, a gente foi conversar com a dona da loja ao lado. Aquela que estava passando o ponto.
Camila levou a mão à boca.
— Não…
Roberta sorriu, incapaz de conter a empolgação.
— Sim. A gente fechou. O espaço agora faz parte do Studio.
Por alguns segundos, Camila ficou em silêncio. Os olhos marejaram, e um sorriso largo surgiu em seu rosto.
— Vocês estão falando sério? — perguntou, com a voz embargada.
— Estamos — respondeu Anna. — Tudo isso começou com a sua ideia.
Camila se levantou impulsivamente e abraçou as duas.
— Eu não acredito… — disse, emocionada. — Eu só pensei naquele homem… em tantas pessoas que passam pelo mesmo que eu passei… eu nunca imaginei que…
— É exatamente por isso que a ideia é tão forte — disse Roberta. — Ela nasce da vivência, da empatia.
Ainda antes de abrirem as portas, espalharam folhas sobre uma mesa. Anna trouxe um caderno grande, Roberta um lápis, Camila começou a desenhar.
— Aqui poderia ser o corredor — dizia Camila, animada. — As baias ficam desse lado, todas fechadas, com isolamento acústico.
— E uma iluminação mais suave — completou Anna. — Algo que traga conforto, não aquela luz fria de escritório.
Roberta já pensava na parte prática:
— Internet dedicada, armários individuais, fechaduras seguras… talvez um pequeno lounge só pra quem estiver usando as baias, com café e água.
Camila assentia, os olhos brilhando.
— E horários flexíveis. Pessoas que só podem algumas horas… outras que precisem de um mês inteiro. Tudo pensado para acolher.
Quando finalmente abriram as portas do Studio, o dia começou como sempre: clientes entrando, risadas, cafés sendo servidos. Mas, para as três, nada parecia igual. Havia um sentimento novo — o de expansão, de missão se ampliando.
Durante um breve momento de pausa, Camila observou o movimento da cafeteria e pensou no quanto sua própria história estava se entrelaçando com aquele lugar. Não era mais apenas um trabalho. Era parte de quem ela era.
— Obrigada por confiarem em mim — disse, baixinho, para Anna e Roberta.
— Obrigada por florescer com a gente — respondeu Anna.
O Studio Florescer Crossdresser estava prestes a dar mais um passo histórico.
E elas sabiam: aquilo era só o começo.
Continua... Aguarde o capítulo 117.
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