Capítulo 115: Portas Que Se Abrem

Capítulo 115: Portas Que Se Abrem

O dia ainda começava quando Anna e Roberta chegaram ao Studio Florescer Crossdresser.
Abriram as janelas, ligaram as luzes, organizaram o balcão e deixaram tudo pronto para o início do expediente. O cheiro de café fresco logo tomou conta do ambiente, trazendo aquela sensação familiar de acolhimento e pertencimento. 

Capítulo 115: Portas Que Se Abrem

Anna, inquieta, olhava discretamente pela vitrine para a loja ao lado.

— Ela deve chegar a qualquer momento — comentou, tentando parecer calma, mas sem esconder a expectativa.

Não demorou muito. A dona da loja vizinha apareceu, levantou a porta de aço e começou a organizar o espaço. Assim que perceberam que ela já estava instalada, Anna e Roberta trocaram um olhar cúmplice.

— Vamos lá? — perguntou Roberta.
— Vamos — respondeu Anna, respirando fundo.

As duas atravessaram a curta distância que separava a cafeteria da loja ao lado. Foram recebidas com um sorriso aberto.

— Que bom ver vocês! — disse a dona da loja, com carinho. — Sempre que posso, dou uma passadinha no Studio. Aquilo ali faz tão bem…

Anna sorriu.
— E nós somos muito gratas por todo o apoio desde o começo.

Depois das saudações iniciais, Anna foi direta, mas delicada:
— Queríamos conversar com você… é verdade que está passando o ponto?

A dona suspirou, apoiando-se no balcão.
— É sim. A loja não anda vendendo como antes. Prefiro passar o ponto agora do que esperar a situação apertar demais.

Roberta assentiu, compreensiva.
— A gente entende perfeitamente. Na verdade, viemos porque estamos interessadas no espaço. Queremos expandir o Studio.

O rosto da dona se iluminou.
— Sério? Fico muito feliz em ouvir isso.

A conversa seguiu tranquila. Falaram sobre valores, prazos, formas de pagamento, detalhes contratuais. Tudo fluía com naturalidade, sem pressa, como se aquele encontro estivesse destinado a acontecer.

Depois, caminharam juntas pelo espaço. Anna observava cada detalhe com atenção: o tamanho do salão, a disposição das paredes, o potencial de adaptação. Roberta checava as instalações elétricas, pontos de água, imaginando mentalmente como tudo poderia ser transformado.

— A estrutura está ótima — comentou Roberta. — Dá pra adaptar sem grandes intervenções.

Anna já conseguia visualizar as baias, os corredores, a separação entre o espaço de trabalho e a cafeteria.
— Aqui pode nascer algo realmente especial — disse, com brilho nos olhos.

Com tudo analisado, sentaram novamente para alinhar os últimos detalhes. Valores ajustados, prazos definidos, condições acordadas. Não houve dúvidas.

— Então… fechamos? — perguntou a dona, sorrindo.

Anna estendeu a mão.
— Fechamos.

O aperto de mãos selou mais do que um negócio. Selou um novo capítulo.

Antes de se despedirem, Anna e Roberta explicaram o projeto: as baias de trabalho, o espaço seguro e privado para crossdressers e pessoas trans poderem trabalhar montadas, com dignidade, conforto e respeito.

A dona se emocionou.
— Saber que esse espaço vai servir para algo tão bonito… tão necessário… me deixa muito feliz. Tenho orgulho de estar passando o ponto para vocês.

De volta ao Studio, Anna e Roberta entraram quase flutuando.

— Conseguimos — disse Roberta, abraçando Anna.
— Conseguimos mesmo — respondeu ela, com a voz embargada.

Olharam ao redor da cafeteria, agora sabendo que em breve aquele universo iria se expandir ainda mais. O futuro parecia promissor, vibrante, cheio de possibilidades.

O Studio Florescer Crossdresser acabava de dar um passo gigantesco. 

Continua... Aguarde o capítulo 116. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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