Capítulo 110: Um Espaço Que Floresce Ainda Mais
O sábado começou cedo para Anna e Roberta.
O sol mal havia aquecido a rua quando elas chegaram ao Studio Florescer Crossdresser, chaves na mão, roupas leves e a sensação gostosa de recomeço. Ao abrir a porta da cafeteria, o silêncio do espaço fechado por alguns dias parecia convidar à transformação.
Sem muita cerimônia, começaram.
Primeiro, a limpeza geral. Janelas abertas, ar entrando, música tocando baixo ao fundo. Roberta cuidava do balcão, organizando louças, limpando prateleiras, enquanto Anna se dedicava às mesas e ao espaço principal. Entre uma tarefa e outra, trocavam olhares cúmplices, sorrisos rápidos e beijos discretos, daqueles que não interrompem o trabalho, apenas o adoçam.
Ao longo do sábado, as mudanças começaram a ganhar forma.
Algumas mesas mudaram de lugar para criar pequenos cantos mais íntimos. Um sofá foi reposicionado perto da janela, com almofadas novas e cores suaves. Anna teve a ideia de criar um cantinho da leitura, com livros e revistas voltadas ao universo crossdresser e trans, além de histórias reais de pessoas que passaram pelo Studio.
Roberta sugeriu uma nova disposição do balcão de doces, deixando tudo mais visível e convidativo. Também criaram uma pequena parede de recados, onde clientes poderiam deixar mensagens, desenhos ou palavras de apoio. Um espaço simples, mas carregado de significado.
No domingo, chegaram ainda mais cedo, animadas apesar do cansaço.
O dia foi dedicado aos detalhes: novas plantas espalhadas pela cafeteria, aromas suaves escolhidos com cuidado, uma iluminação mais quente para o fim da tarde. Ajustaram a trilha sonora, pensando em diferentes momentos do dia — manhã acolhedora, tardes tranquilas, finais de dia mais intimistas.
Entre um ajuste e outro, sentavam-se por alguns minutos, trocavam carícias rápidas, riam do próprio entusiasmo e voltavam ao trabalho. O Studio não era apenas um negócio; era uma extensão do amor e da história que construíam juntas.
Quando o domingo à noite chegou, as duas se sentaram em uma das mesas, observando o resultado final. O Studio Florescer Crossdresser parecia o mesmo, mas ao mesmo tempo diferente. Mais maduro. Mais acolhedor. Mais vivo.
— Está ainda mais com a nossa cara — disse Anna, segurando a mão de Roberta.
Roberta assentiu, emocionada.
Ali estava um espaço pensado para acolher crossdressers, pessoas trans, mulheres e homens que apoiavam esse universo. Um lugar seguro, bonito e cheio de afeto.
Cansadas, mas profundamente satisfeitas, fecharam a porta pela última vez naquele fim de semana. A ansiedade pela reabertura no dia seguinte vinha acompanhada de orgulho e alegria.
O Studio Florescer Crossdresser estava pronto para florescer outra vez.
Continua... Aguarde o capítulo 111.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
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