Capítulo 88: Pequenos Gestos Que Fazem a Diferença

Capítulo 88: Pequenos Gestos Que Fazem a Diferença

O começo da semana parecia correr em um ritmo próprio, como se o tempo tivesse criado um espaço só para Camila e Rafael existirem um no outro.
Nada grandioso, nada exagerado — apenas gestos delicados, cotidianos, que diziam mais do que qualquer declaração. 

E era justamente isso que fortalecia o namoro.

Capítulo 88: Pequenos Gestos Que Fazem a Diferença

Na terça-feira, Camila estava no balcão do Studio Florescer Crossdresser, conferindo as reservas do dia, quando o celular vibrou.
Uma mensagem curta.

Rafael:
Chegou bem no Studio?
Se cuida. Pensei em você o caminho inteiro.


A simplicidade daquelas linhas fez seus dedos estremecerem.
Não era cobrança, não era invasão.
Era cuidado.
Era presença.

Camila sorriu sozinha, e Roberta percebeu na hora:

— Ih, mensagem do príncipe.

— Para… — ela murmurou, mas não conseguia esconder o brilho no rosto.

Na quarta, Rafael passou no Studio no final da tarde — não avisou, não combinou nada.
Só apareceu.

Entrou tímido, com uma sacolinha de papel marrom na mão.

— Trouxe um pão doce de pistache que eu sei que você gosta.

Camila piscou, surpresa.

— Como você sabe disso?

— Ué… você no último encontro, lembra?

Era um detalhe tão pequeno… e ao mesmo tempo tão grande.
Ela sentiu o coração encolher de um jeito bom.

Sentaram-se no canto reservado da cafeteria, dividiram o pão doce, conversaram baixinho.
Anna observava de longe, apoiada no balcão, com um sorriso de profissional experiente — metade tia coruja, metade fofoqueira de plantão. — Esse momento fez Anna anotar que precisar inserir o pão doce de pistache no cardápio.

Na quinta, o gesto veio dela.

Camila passou em uma loja de utilidades domésticas depois do trabalho e comprou um conjunto simples de dois pratos, duas taças e dois guardanapos de tecido branco.
Quando chegou em casa, arrumou a mesa só por arrumar.
Só porque pensar nele já deixava tudo bonito.

E quando Rafael ligou à noite, ela estava deitada no sofá, vestindo apenas uma lingerie, com aquele sentimento leve que só começa a existir quando o amor encontra um lugar seguro para crescer.

— Tô com saudade — ele disse, sem rodeios.

— Eu também — ela respondeu, surpresa pela facilidade que teve ao dizer.

Falavam sobre o dia, sobre besteiras, sobre nada.
Mas era tudo.

A intimidade não estava apenas no físico — aquele já haviam experimentado no domingo com uma entrega que ainda aquecia Camila quando ela se lembrava.
O que crescia agora era outra coisa: profundidade, confiança, afeto.

Na sexta, Rafael apareceu na kitnet com um pacote de café especial.

— Para tomarmos juntos amanhã — explicou.

E Camila, sem perceber, já estava pegando outro copo para ele, já abrindo espaço na prateleira, já fazendo o gesto natural de quem acolhe.

O sábado foi deles.
Não planejaram muito: caminharam pelo bairro, dividiram uma tapioca na feira, sentaram-se num banco de praça e ficaram ali, apenas ouvindo o movimento da cidade.

O toque entre eles também mudara.

Não era mais a insegurança do início, nem a hesitação das primeiras descobertas.
Era um carinho constante — a mão dele na cintura dela, a cabeça dela encostada no ombro dele, o beijo tranquilo no meio do caminho, sem pressa de nada.

A intimidade crescia nos silêncios, nos olhares, no jeito como Camila já entendia o ritmo dele, e como Rafael parecia conhecer cada nuance do humor dela.

No domingo à noite, deitada na cama depois de uma semana inteira de pequenos gestos, Camila se deu conta:

Eles estavam construindo algo real.
Algo que não nasceu do físico — embora também morasse ali —, mas que se alimentava das doçuras do cotidiano.

Ela tocou o próprio peito, sentindo o calor que atravessava.

— Acho que estou mesmo apaixonada… — sussurrou para o quarto vazio.

E no fundo, ela sabia:
Rafael também estava.

As pequenas atitudes não eram pequenas.
Eram o início de um amor que se firmava devagar, com cuidado, com verdade. 

Continua... Aguarde o capítulo 89. 

Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser

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