Capítulo 161: Espaço que Floresceu Demais
O movimento das baias de trabalho do Studio Florescer Crossdresser tinha atingido um nível que nenhuma das três imaginou tão cedo.
Naquela manhã, Camila chegou com seu vestido lilás curtinho e sapatilhas brancas, cabelos presos no habitual rabo de cavalo, e foi direto para a sala administrativa nos fundos. Levava nas mãos uma prancheta com anotações e uma expressão pensativa.
Anna e Roberta já estavam lá, conferindo a agenda da semana.
— Bom dia, meninas — disse Camila, sentando-se à mesa. — Precisamos conversar sobre uma coisa importante.
Anna ergueu os olhos por cima dos óculos.
— Também estou pensando nisso desde ontem.
Roberta suspirou e completou:
— As baias estão praticamente todas ocupadas com planos mensais, não é?
Camila confirmou com a cabeça.
— Exatamente. Temos apenas duas vagas livres para aluguel por dia ou por horas… e a lista de espera já está enorme. Só essa semana, mais cinco pessoas me procuraram querendo um espaço fixo.
Anna folheou a agenda.
— Eu nunca imaginei que o projeto fosse crescer tão rápido assim.
Roberta sorriu, orgulhosa.
— Isso é maravilhoso… mas também é um problema bom.
As três começaram a analisar a situação com cuidado. As baias tinham se tornado um refúgio para muitas crossdressers e mulheres trans que finalmente podiam trabalhar montadas, com segurança e privacidade. Mas justamente por isso, a procura só aumentava.
— A gente não pode simplesmente dizer “não temos mais vagas” — disse Camila, preocupada. — Muitas dessas pessoas dependem desse espaço para viverem como realmente são, mesmo que seja só por algumas horas.
Anna concordou.
— O Florescer nasceu para acolher. Não podemos fechar portas agora.
Começaram então a discutir possibilidades.
Roberta sugeriu:
— Podemos tentar reorganizar o layout. Talvez diminuir um pouco a área de descanso e criar mais duas baias.
Camila ponderou:
— É uma ideia… mas não resolve a longo prazo.
Anna ficou pensativa por alguns segundos.
— E se criarmos horários rotativos? Algumas clientes trabalham apenas meio período. Poderíamos dividir certas baias em turnos fixos.
Camila anotou tudo.
— Isso ajudaria, mas ainda não daria conta da fila que está se formando.
O silêncio tomou conta da sala por alguns instantes. Era um desafio novo: crescer sem perder a essência.
— Talvez seja hora de pensar em uma nova expansão — disse Roberta, quase em tom de sonho.
Anna arregalou os olhos.
— Outro espaço?
— Por que não? — continuou Roberta. — Alugar outra sala no mesmo prédio, ou quem sabe um andar acima… algo que nos permita dobrar a capacidade.
Camila sentiu o coração acelerar.
— Seria incrível… mas precisamos ver custos, estrutura, se é viável financeiramente.
Anna sorriu para as duas.
— O importante é que o problema que temos hoje é fruto de algo lindo: as pessoas confiam na gente. E isso não tem preço.
O resto do dia seguiu normalmente, com Camila correndo de uma baia para outra, atendendo clientes, organizando agendas e tentando encaixar horários. Mas sua cabeça não parava de pensar em soluções.
No fim da tarde, quando o Studio já estava quase vazio, as três se sentaram novamente na cafeteria para tomar um café.
Camila respirou fundo e disse:
— Meninas… eu tive uma ideia. Ainda é meio maluca, mas acho que pode funcionar.
Anna e Roberta se inclinaram curiosas.
— Conta tudo — disseram quase ao mesmo tempo.
Camila sorriu, sentindo aquela mesma empolgação de quando teve a ideia das baias pela primeira vez.
O Florescer estava novamente prestes a dar mais um passo.
Continua... Aguarde o capítulo 162.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
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