Capítulo 132: A Confiança Ganha Força
Camila acordou cedo naquela manhã, com o corpo leve e a mente mais organizada. A noite ao lado de Rafael tinha feito exatamente o que ela precisava: silêncio interno. Vestiu-se com calma, escolheu um vestido simples, confortável, feminino, prendeu o cabelo em seu rabo de cavalo habitual e saiu rumo ao Studio com passos firmes.
— A confiança é mútua. E hoje vai ser um dia importante.
Pouco depois da abertura, entre clientes habituais e alguns curiosos, uma figura diferente entrou no Studio Florescer Crossdresser. Uma pessoa de passos contidos, roupas neutras, olhar atento demais para quem só vinha tomar um café. Camila percebeu imediatamente. Aquele olhar era conhecido — o mesmo que ela já tivera um dia.
A pessoa se aproximou do balcão.
— Bom dia… eu… eu vim por causa das baias — disse, com a voz baixa.
Camila sentiu o coração bater mais forte.
— Claro. Quer conversar um pouquinho? Podemos ir ali, com mais privacidade.
Sentaram-se em uma das mesas mais afastadas. A cliente — que se apresentou como Helena, ainda ensaiando o nome — contou, entre pausas e respirações profundas, que era a primeira vez que se permitia sair de casa com aquela intenção. Que nunca tinha se visto inteira no espelho. Que precisava de um lugar seguro para trabalhar, mas, mais ainda, para existir.
— Eu fiquei semanas passando em frente ao Studio — confessou. — Até criar coragem.
Camila ouviu sem interromper, com os olhos atentos e o coração aberto.
— Você chegou ao lugar certo — disse, com doçura. — Aqui, ninguém precisa se esconder.
Levou Helena até o vestiário, explicou cada detalhe com calma, mostrou a baia preparada: a mesa limpa, a cadeira confortável, a luz suave, o silêncio respeitoso. Quando fechou a porta e deixou a cliente sozinha para se trocar, Camila sentiu um nó na garganta.
Minutos depois, Helena saiu transformada. Não apenas pela roupa, mas pela postura. O sorriso ainda tímido, mas real.
— Obrigada — disse, quase em um sussurro. — Eu nunca pensei que isso fosse possível.
Camila respirou fundo, sentindo o peso e a beleza daquele momento.
— Isso é só o começo.
Ao longo do dia, enquanto o café seguia, as conversas aconteciam e a baia cumpria seu papel silencioso, Camila percebeu com clareza algo que antes era apenas ideia: o projeto não era sobre mesas, cadeiras ou contratos. Era sobre atravessar medos.
No fim do expediente, ao fechar a porta do Studio, Camila olhou para Anna e Roberta.
— Valeu cada segundo de dúvida — disse, emocionada.
Anna sorriu.
— E amanhã vai valer mais ainda.
Camila voltou para casa com o coração cheio. Pela primeira vez desde que tudo começou, não se perguntava mais se daria conta. Sabia que já estava dando.
Continua... Aguarde o capítulo 133.
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