Capítulo 112: Portas Abertas Para Um Novo Ano
O dia ainda estava começando quando Camila acordou.
O despertador tocou cedo, mas, pela primeira vez em muito tempo, ela não sentiu preguiça. Levantou-se com um sorriso leve, como quem retorna a um lugar que chama de casa.
Escolheu um vestido azul curtinho, justo ao corpo, simples e delicado. Calçou o tênis branco feminino, prendeu o cabelo no rabo de cavalo de sempre e fez uma maquiagem leve, apenas para realçar o que já sentia por dentro: tranquilidade e confiança.
Enquanto se arrumava, pensava em tudo o que havia vivido — as férias, o amor, o reencontro com os pais — e em como o Studio Florescer Crossdresser havia sido o ponto de virada de sua vida.
Saiu caminhando pelas ruas ainda tranquilas daquela manhã de 5 de janeiro. O coração batia acelerado. Ansiosa para ver as mudanças. Feliz por voltar ao lugar que tornou possível o seu florescer.
Quando virou a esquina e avistou a cafeteria, Camila diminuiu o passo.
— Meu Deus… — murmurou, surpresa.
O Studio estava ainda mais bonito. A fachada parecia mais acolhedora, com novas plantas, cores suaves e um cuidado visível em cada detalhe. Ao entrar, o impacto foi ainda maior. O espaço parecia o mesmo, mas ao mesmo tempo completamente renovado.
Anna e Roberta já estavam lá dentro, ajeitando as últimas coisas antes de abrir.
— Camila! — disse Roberta, sorrindo ao vê-la.
— Bem-vinda de volta! — completou Anna, com os olhos brilhando de empolgação.
Camila girou devagar, observando tudo.
— Eu… não estou acreditando. Está lindo demais.
Anna segurou a mão dela, puxando-a pelo salão.
— Vem, vou te mostrar tudo direitinho.
Apontou para o novo layout das mesas.
— Mudamos a disposição pra ficar mais fluido, sabe? Dá pra circular melhor, conversar mais… ninguém fica isolada se não quiser.
Caminharam até um canto do Studio.
— Aqui criamos um espaço mais íntimo — continuou Anna. — Pra quem chega tímida, nervosa… um lugar pra respirar, tomar um café e se sentir segura.
Roberta entrou na conversa, orgulhosa:
— Também renovamos o cardápio. Incluímos opções novas, mais leves, e algumas sobremesas que são puro conforto.
Camila tocava os móveis, observava as cores, os quadros novos nas paredes — histórias, frases de acolhimento, pequenos símbolos de resistência e afeto.
— Dá pra sentir… — disse ela, emocionada. — Dá pra sentir que tudo isso foi feito com amor.
Anna sorriu.
— Esse sempre foi o plano. Fazer daqui um lugar onde as pessoas possam ser quem são, sem pedir licença.
Pouco depois, ajustaram o letreiro, viraram a plaquinha na porta e, juntas, abriram oficialmente as portas.
Um novo ano começava no Studio Florescer Crossdresser.
As primeiras clientes chegaram curiosas. Antigas frequentadoras entraram sorrindo, admiradas com a transformação. Pessoas novas apareceram, atraídas pela energia do lugar.
— Está ainda mais lindo!
— Que clima gostoso…
— Dá vontade de ficar o dia todo aqui.
O movimento foi intenso. Cafés saíam quentes, risadas ecoavam pelo salão, histórias eram compartilhadas em cada mesa. Camila se sentia parte de tudo aquilo de uma forma profunda — atendendo, conversando, acolhendo. Como se aquele espaço também fosse extensão de quem ela era agora.
Ao final do dia, já com as portas fechadas e o silêncio voltando aos poucos, as três se sentaram por um instante atrás do balcão. Cansadas, mas sorrindo.
Roberta conferiu os números e levantou os olhos, animada.
— O faturamento foi ótimo. Melhor do que esperávamos.
Anna respirou fundo, satisfeita.
— Acho que estamos no caminho certo.
Camila observou o Studio iluminado, ainda com cheiro de café fresco no ar.
— Estamos mesmo — disse, com convicção. — Aqui muda vidas. Mudou a minha.
Trocaram um olhar cúmplice. O primeiro dia do ano havia terminado, mas a sensação era clara:
o Florescer estava mais vivo do que nunca — e aquele novo ano prometia ser ainda mais bonito.
Continua... Aguarde o capítulo 113.
Confira os capítulos anteriores em: Crônicas Anna Crossdresser
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